Kia Sportage HEV está mais potente e mais tecnológico!
O Kia Sportage já é, há vários anos, um dos modelos mais importantes da marca coreana na Europa. E nesta versão HEV renovada para 2026 tenta reforçar precisamente aquilo que sempre fez bem: oferecer bastante espaço, equipamento e tecnologia, mas agora com um sistema híbrido mais potente e capaz de apresentar consumos muito interessantes no mundo real.

O Sportage continua também a ser um daqueles SUV que dificilmente passa despercebido. O desenho não é propriamente discreto, especialmente na dianteira, onde a grelha de grandes dimensões se junta à nova assinatura luminosa vertical. Esta atualização aproximou ainda mais o modelo da linguagem visual dos Kia mais recentes e, ao vivo, dá-lhe uma presença bastante mais moderna.
Na traseira as alterações são menos dramáticas, mantendo-se a silhueta já conhecida, com uma linha bastante larga e musculada. No caso da unidade que conduzimos, a combinação da pintura escura com as jantes de desenho geométrico ajuda a dar-lhe uma imagem algo mais sofisticada.

Um híbrido com 239 cv
Mas a principal novidade está debaixo do capot.
O Sportage HEV combina um motor 1.6 T-GDi turbo a gasolina com um motor elétrico, entregando uma potência combinada de 239 cv, transmitida através de uma caixa automática convencional de seis velocidades. Existem variantes de tração dianteira e integral, dependendo da configuração escolhida. A potência do novo HEV representa um aumento relevante face à versão anterior.
E estes números traduzem-se num carro surpreendentemente expedito.


Não estamos perante um SUV desportivo, nem pretende ser, mas os 239 cv dão-lhe uma capacidade de aceleração e recuperação que torna ultrapassagens ou entradas em autoestrada bastante simples. Quando se pede potência, o motor térmico entra naturalmente em funcionamento e a resposta conjunta dos dois motores é forte.
A caixa automática de seis relações também ajuda bastante na experiência. Em vez da sensação algo artificial que algumas transmissões utilizadas em híbridos conseguem transmitir sob aceleração forte, aqui há mudanças de relação perfeitamente percetíveis e um comportamento muito semelhante ao de um automóvel convencional.

Para quem vem de um modelo a gasolina ou diesel, praticamente não existe qualquer período de adaptação.
E consegue mesmo gastar pouco?
Aqui chegamos talvez à parte mais interessante deste Sportage.
Durante o nosso ensaio percorremos 270 km e terminámos com uma média de apenas 5,3 l/100 km.
E não estamos a falar de um pequeno utilitário híbrido. O Sportage mede 4,54 metros de comprimento, 1,865 metros de largura e 1,65 metros de altura, com 2,68 metros de distância entre eixos.
Tendo em conta o tamanho, a potência disponível e o facto de ser um SUV familiar, os 5,3 litros registados são um resultado bastante convincente.



O segredo está naturalmente na utilização frequente do motor elétrico, sobretudo em ambiente urbano ou em situações de pouca carga. Há vários momentos em que conseguimos circular apenas em modo elétrico, mesmo sem existir qualquer ficha para carregar.
É precisamente aqui que um HEV continua a fazer bastante sentido para muitos condutores: conduzimos exatamente como num automóvel normal, abastecemos gasolina quando necessário e o próprio veículo gere a bateria e a utilização do motor elétrico.
Não há cabos, carregamentos ou necessidade de alterar rotinas.
Na cidade é onde o sistema híbrido brilha
Em trânsito urbano, o Sportage consegue desligar frequentemente o motor de combustão, recuperando energia durante desacelerações e travagens.
A passagem entre funcionamento elétrico, híbrido e apenas com o motor térmico é bastante suave e, na maioria das situações, pouco percetível.
Naturalmente, numa utilização maioritariamente em autoestrada a vantagem do sistema híbrido diminui. A velocidades constantes mais elevadas, é o motor a gasolina que assume grande parte do trabalho e os consumos acabam inevitavelmente por subir.
Mas numa utilização mista semelhante àquela que muitas famílias fazem diariamente, esta motorização parece particularmente bem conseguida.

Interior muito melhor do que era habitual num Kia há poucos anos
Se há uma área onde a evolução da Kia é evidente, é no interior.
À frente encontramos um enorme painel horizontal que integra o quadrante digital e o sistema multimédia, criando visualmente uma superfície contínua.
A apresentação é moderna, a resolução é boa e o sistema responde suficientemente rápido. Há também Android Auto e Apple CarPlay, como seria de esperar num automóvel desta categoria.
Um detalhe curioso é a consola central, onde desaparece a tradicional alavanca da caixa automática e surge um seletor rotativo. Pode exigir alguns minutos de habituação, mas rapidamente se torna intuitivo e liberta bastante espaço.
A Kia também mantém alguns comandos físicos, algo que agradecemos especialmente.



Nem tudo precisa de ser controlado através de um ecrã tátil.
A faixa central permite alternar entre controlos de climatização e atalhos do sistema multimédia, oferecendo um compromisso razoável entre estética e facilidade de utilização.
Espaço continua a ser um dos argumentos fortes
Um dos motivos pelos quais o Sportage vende tão bem é bastante simples: é um bom carro familiar.
Existem bons espaços de arrumação, uma posição de condução elevada e bastante espaço nas duas filas de bancos.
Atrás, dois adultos viajam confortavelmente e existe também espaço suficiente para instalar cadeiras de criança sem grandes dificuldades.
A bagageira mantém dimensões adequadas para utilização familiar, tornando o Sportage uma alternativa real para quem procura um único automóvel capaz de cumprir deslocações diárias, viagens e utilização familiar.
Também ajuda o facto de o Sportage não ter crescido exageradamente. Com 4,54 metros continua a ser relativamente simples de utilizar em cidade, ao mesmo tempo que oferece bastante espaço interior.
Como conduz?
O comportamento segue uma filosofia bastante clara: conforto primeiro.
A suspensão filtra bem as irregularidades e o isolamento acústico é bom, principalmente quando circulamos a baixa velocidade com o motor térmico desligado.
A direção é leve e previsível, tornando o Sportage fácil de conduzir em cidade ou em manobras.
Em estrada sinuosa existe naturalmente alguma inclinação da carroçaria, mas nada fora do esperado num SUV desta dimensão.
Se aumentarmos o ritmo, percebe-se rapidamente que este não é um automóvel desenvolvido para procurar limites numa estrada de montanha. Ainda assim, há potência mais do que suficiente e o chassis transmite segurança.
É sobretudo numa viagem longa que o Sportage começa a mostrar aquilo que sabe fazer melhor: condução descontraída, pouco ruído e uma posição de condução confortável.
HEV ou PHEV?
Esta provavelmente será uma das principais dúvidas de quem estiver a considerar um Sportage.
A versão PHEV permite fazer deslocações diárias utilizando energia carregada externamente, mas implica obviamente ter onde carregar e criar esse hábito.
O HEV é muito mais simples.
Não precisamos de fazer absolutamente nada. Entramos, conduzimos e o sistema trata de tudo.
Para alguém que não tem garagem, não consegue carregar regularmente ou simplesmente quer um híbrido sem complicações, esta versão HEV acaba por ser provavelmente a proposta mais fácil de integrar no dia a dia.
E conseguir 5,3 l/100 km num SUV com 239 cv demonstra que não estamos apenas perante um argumento de marketing.
Então, vale a pena?
O Kia Sportage HEV não tenta reinventar o SUV familiar. Em vez disso, pega numa receita já muito competente e melhora precisamente os pontos que mais importam numa utilização diária.
É espaçoso, confortável, tecnologicamente atualizado e suficientemente rápido para nunca parecer submotorizado.
Mas o argumento que mais nos surpreendeu foi mesmo a eficiência.
Uma média real de 5,3 l/100 km depois de quase 270 km é um resultado bastante interessante para um SUV desta dimensão e potência.
Há alternativas mais envolventes de conduzir e existem também híbridos com sistemas ainda mais eficientes em determinadas circunstâncias. Mas enquanto pacote global, o Sportage HEV continua a ser muito difícil de ignorar.
É precisamente aquele género de carro que pode não entusiasmar imediatamente quem procura algo exótico ou emocional, mas que começa a fazer cada vez mais sentido à medida que o utilizamos.
E para um SUV familiar, talvez seja exatamente isso que interessa.
