Tudo ou nada para Sebastian Vettel em 2020

Este ano será decisivo para a carreira do 4 vezes consecutivas (só Michael Schumacher e Juan Manuel Fangio também foram ) campeão do mundo de Fórmula 1, o alemão Sebastian Vettel. O piloto, natural de Kerpen na Alemanha, que foi campeão do mundo de F1 com a Red Bull entre 2010 e 2013, vem de duas temporadas complicadas na Ferrari, sobretudo tendo em conta estatuto de tetracampeão do mundo que transporta e tudo o que isso acarreta.

Vettel tentou imolar as muitas conquistas que o seu ídolo Michael Schumacher obteve na Ferrari, mas até ao momento sem sucesso
Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, os protagonistas das temporadas de 2017 e 2018, com vantagem clara para o britânico…

Em 2018, por vários erros próprios e outros da sua própria equipa, perdeu a chance de lutar contra Lewis Hamilton e a Mercedes pelos títulos até à última ronda. Em 2019, foi (tal como em 2014 quando tinha, ainda nos tempos de Red Bull, como colega de equipa um jovem lobo australiano de nome Daniel Ricciardo…) batido pelo seu jovem colega de equipa, o monegasco Charles Leclerc em apenas no seu segundo ano de F1.

Vettel e Leclerc, uma dupla que deu muita faísca em 2019

O piloto do Mónaco, superiorizou-se na época passada ao seu muito mais experiente e consagrado colega de equipa Sebastian Vettel. Leclerc venceu por duas vezes no ano transacto (em Spa e em Monza) e poderiam ter sido pelo menos mais outras três vitórias, se não tivesse ficado apeado pelo carro no Bahrain e pela estratégia da equipa em Singapura e em Sochi.

Leclerc saudando o público em Spa após a primeira vitória da carreira

Vettel, no ano transacto venceu no traçado de Marina Bay em Singapura (o seu único triunfo na temporada anterior), porque como a própria Ferrari admitiu recentemente, precisavam de dar essa vitória ao alemão, para uma muito necessária injecção de moral.

O único triunfo do tetracampeão em 2019, em Singapura

Também é verdade que Vettel estava com um ritmo muito forte em Singapura depois da sua troca de pneus, antes de Leclerc efectuar a sua paragens nas boxes. Foi também muito rápido a ultrapassar os carros que tinha à sua frente até chegar à liderança da prova, mas claramente se a Ferrari tivesse, como devia, ter dado a primazia na paragem para troca de pneus a quem seguia na frente em Marina Bay, que era Leclerc, muito dificilmente Vettel teria saído vencedor.

Depois, na Rússia, uma vez mais Vettel e a Ferrari não cumpriram com o combinado, pois a estratégia da equipa era Leclerc dar ao seu colega de equipa o cone de ar após o arranque, para este não ser ultrapassado pelos Mercedes de Hamilton e Bottas que estavam atrás de Vettel na grelha de partida, mas depois era suposto o germânico devolver a primeira posição a Leclerc, tendo o alemão recusado ceder o lugar.

Sochi, uma das várias polémicas entre Vettel, Leclerc e a Ferrari

É verdade é que depois da sua terrível corrida em Monza, depois de estar a ser regularmente subjugado por Leclerc até à corrida de casa da Ferrari, Vettel acordou, triunfando com o seu engenho e ajuda da Ferrari em Singapura, fazendo a pole position em Suzuka, estando ao mesmo nível, ou uma ou outra vez até mais rápido, que Leclerc em qualificação e também em corrida.

Uma das duas pole position de Vettel em 2019 foi em Suzuka

Mas no final do campeonato, Leclerc foi o piloto com mais pole position (7) que todos os outros, com duas vitórias contra uma de Vettel, foi o melhor não Mercedes na tabela de pontos, com um terceiro lugar final no campeonato de pilotos, contra um despontante quinto para o 4 vezes campeão do mundo.

Em 2014, era Vettel o tetracampeão do mundo em título, deixou de ter como colega de equipa na Red Bull o australiano Mark Webber. Este último, que tirando a temporada de 2010 ( ano em que lutou pelo ceptro até à última da corrida da época ), a partir de 2011 e até 2013 raramente deu luta a Vettel. Foi um bom escudeiro do alemão, um excelente segundo piloto, garante de muitos pontos para classificação do campeonato dos construtores, roubando pontos aos rivais do seu colega de equipa, mas não ofuscando a caminhada triunfante e dominante para o tetra do germânico.

O número 1 e o número 2 na Red Bull entre 2010-2013

Na primeira época dos motores híbridos, Vettel passou a ter como vizinho de garagem na Red Bull o então jovem lobo, acabado de ser promovido da Toro Rosso (equipa júnior da Red Bull), o também australiano Daniel Ricciardo. E o que aconteceu em 2014 ? 3 vitórias de Ricciardo contra 0 de Vettel, 3º lugar final no campeonato para o piloto de Perth, contra apenas a 5ª posição na tabela dos pontos para o homem vindo de Kerpen.

Daniel Ricciardo numa das suas 3 vitórias em 2014 contra nenhuma de Vettel, no seu ano de estreia na Red Bull

Em 2015, o alemão transferiu-se para a Ferrari, tendo muita gente considerado na época que Vettel, para além do desejo de qualquer piloto de F1 pilotar para o Cavallino Rampante, também fugiu da luta contra Ricciardo… Até 2018, teve como colega de equipa o finlandês Kimi Raikkonen, um ex campeão do mundo, mas que só a espaços fez frente a Vettel, um eficaz segundo piloto, nunca levantando problemas com o seu estatuto de segundo na hierarquia “ferrarista”.

Raikkonen e Vettel, colegas de equipa entre 2015 e 2018 e amigos, vida fácil para o alemão na Ferrari então

O que podemos concluir ? Que Vettel não se dá bem quando deixa ter colegas de equipa que já estão nos seus últimos anos de carreira, não estão para se chatearem, não têm nada a provar, não querem levantar ondas, cumprem sem reservas com o que a equipa lhes pede no sentido de ajudarem o alemão a vencer, aceitando serem segundos pilotos sem problemas.

Porque quando “leva” com jovens lobos, com tudo a provar, com “sangue na gelra”, que não querem saber dos poderes estabelecidos e querem levar a luta até ao germânico, como foi o caso com Ricciardo em 2014 e Leclerc em 2019, Vettel entra um bocado em “parafuso”, fica abalado, começa a errar mais, a acusar a pressão, parecendo até desmotivado, desconfiado, diminuído. Parece que quando não sente que é incondicionalmente o primeiro piloto e tem a equipa toda com ele perde-se um bocado.

Ricciardo e Leclerc, os companheiros de equipa mais difíceis que Vettel já teve

É verdade que como já referi antes, o alemão teve uma boa reacção após a dupla vitória consecutiva de Leclerc em Spa e em Monza, sobretudo nesta última foi o bater no fundo de Vettel em 2019. Em Itália, fartou-se de cometer erros impróprios para um piloto com os seus pergaminhos de tetracampeão do mundo, viu o seu jovem colega de equipa vencer na corrida de casa da Ferrari, numa vitória épica em que teve de lutar contra o poderio dos dois Mercedes de Hamilton e Bottas até à ultima volta, caindo de de vez no coração dos tiffosi. Enquanto que em contraste total, Vettel teve uma corrida completamente para esquecer, terminando fora dos pontos.

Monza 2019, o dia mais feliz da ainda curta carreira de Leclerc e um dos dias mais difíceis da já longa jornada de Vettel na F1

Por isso considero que este ano será a temporada do tudo ou nada para o alemão. Ou leva a luta até Leclerc desde a primeira corrida e está pelo menos tão rápido como o seu colega de equipa em qualificação e em corrida, ou então, se for uma vez mais batido pelo monegasco, muito dificilmente verá o seu contrato com a Ferrari ser renovado (termina no final deste ano).

Pior ainda, será encontrar um lugar para 2021 numa equipa que lute pelos títulos, pois de momento tem as portas fechadas tanto na Mercedes, como na Red Bull. Se alguma se abrir, num cenário pouco provável nesta altura, poderá eventualmente ser na Mercedes (na Red Bull já disseram que a voltar teria de ser com um salário baixo…), isto se Hamilton sair, Bottas também sair, Verstappen não for para a equipa de Brackley, se, se, se…

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