Não andamos com carros “velhos” porque queremos, somos obrigados a isso

Cada vez temos automóveis mais envelhecidos a circular em Portugal. Segundo os últimos dados fornecidos pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) 6 em cada 10 carros no país têm mais de 10 anos de idade.

Existe ainda outro problema, segundo uma notícia recente do Expresso, a cada 10 carros portugueses 6 contam com mais de 20 anos de idade. Isto não é uma novidade, sempre soubemos que Portugal apresenta um dos parques automóveis mais envelhecidos da Europa. No entanto, desde 2017 até 2019, este número (de veículos com mais de 20 anos de idade), aumentou de 777 mil viaturas para 1,04 milhões. Números bastante expressivos que representam mais de 20% do parque automóvel nacional.

Sabe-se ainda que entre 2017 e 2019 o número de automóveis ligeiros de passageiros recebeu mais 405 mil viaturas. Quando questionado o secretário-geral da ACAP, Hélder Pinto, referiu que “a única medida para a renovação do parque automóvel com um impacto no curto prazo é o incentivo ao abate de veículos em fim de vida”.

Segundo Hélder Pinto, cabe ao Governo tomar medidas necessárias para estimular a venda de automóveis novos. Conclui o seu pensamento afirmando que isto é necessário para “reduzir as emissões e para aumentar a segurança, diminuindo a sinistralidade”.

O que se conclui é que a redução de automóveis “velhos” nas estradas portuguesas pode passar por campanhas de incentivo ao abate, até pode mas o problema não acaba aqui. Eu penso que seja um pouco mais complexo que isso.

O facto das pessoas utilizarem automóveis com mais de 10 ou 20 anos deve-se ao baixo poder económico da população portuguesa. Façamos um pequeno exercício, com um ordenado mínimo de 700 euros, o atual em Portugal, qual é o carro novo possível de comprar? (Tendo em conta que vivemos numa casa alugada e gastamos algum dinheiro em alimentação, o necessário para sobreviver). Ocorrem-me poucas opções e até o novo Dacia Sandero se torna complicado de pagar.

Sabemos que os carros novos são mais eficientes, seguros e amigos do ambiente, mas não andamos com carros “velhos” porque queremos, somos obrigados a isso.

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